Como Funciona o Oscar: Regras, Categorias, Votação e Por Que a Premiação Importa (Muito Além dos Troféus)

O Oscar é, sem dúvida, a premiação cinematográfica mais conhecida do mundo. Todos os anos, milhões de pessoas acompanham indicações, apostas, polêmicas e discursos emocionados. Ainda assim, apesar de sua enorme visibilidade, poucos realmente entendem como o Oscar funciona.

Quem vota?
Como os indicados são escolhidos?
Por que certos filmes ficam de fora?
O Oscar mede qualidade artística ou estratégia política?

Este guia foi escrito para responder essas perguntas com profundidade e clareza, indo além da superfície do evento televisivo. Aqui você vai entender como a premiação é estruturada, quais são suas regras, por que ela é frequentemente criticada e, principalmente, por que o Oscar continua relevante mesmo em um cenário de mudanças no consumo de cinema.

Mais do que uma cerimônia, o Oscar é um termômetro cultural, um instrumento de poder simbólico e um reflexo das tensões entre arte, indústria e política.


O que é o Oscar, afinal?

O Oscar é o nome popular do Academy Awards, prêmio concedido anualmente pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, uma organização composta por profissionais da indústria do cinema.

Criado no final da década de 1920, o prêmio surgiu com dois objetivos principais:

  1. valorizar o cinema como forma de arte
  2. consolidar a indústria cinematográfica como força cultural

Desde então, o Oscar evoluiu, se expandiu e se adaptou, mas manteve sua função central: legitimar filmes, profissionais e tendências dentro da indústria.


Quem compõe a Academia

Um dos maiores mitos sobre o Oscar é a ideia de que “críticos” ou “celebridades” votam nos vencedores. Na realidade, quem vota são profissionais da própria indústria.

A Academia é dividida em diferentes ramos, como:

  • atores
  • diretores
  • roteiristas
  • produtores
  • técnicos
  • profissionais de som, edição, figurino, entre outros

Cada membro vota dentro de sua área de atuação em etapas específicas do processo.

Isso significa que o Oscar é, em grande parte, uma premiação da indústria para a indústria, o que ajuda a explicar muitas de suas escolhas.


Como funciona o processo de elegibilidade

Para concorrer ao Oscar, um filme precisa cumprir uma série de critérios técnicos e formais, como:

  • exibição comercial em cinemas específicos
  • tempo mínimo em cartaz
  • formato adequado
  • cumprimento de prazos

Essas regras existem para garantir que os filmes tenham sido, de fato, exibidos ao público e atendam a padrões profissionais.

Nos últimos anos, algumas regras foram adaptadas para acompanhar mudanças no mercado, especialmente com a ascensão do streaming.


O processo de votação: do envio ao troféu

O Oscar não é decidido em uma única votação. O processo ocorre em múltiplas etapas, o que o torna mais complexo do que parece.

Primeira etapa: indicações

Cada ramo da Academia indica candidatos dentro de sua especialidade. A exceção é a categoria de Melhor Filme, que envolve um processo mais amplo.

Aqui, fatores como:

  • reconhecimento entre pares
  • reputação
  • visibilidade do filme

têm grande peso.


Segunda etapa: votação final

Após as indicações, todos os membros votam nos vencedores, respeitando regras específicas para cada categoria.

É nessa fase que campanhas, discursos e narrativas públicas passam a influenciar ainda mais.


As principais categorias explicadas

Melhor Filme

É a categoria mais prestigiada. Representa não apenas qualidade artística, mas também impacto cultural e consenso interno da Academia.


Direção

Premia a visão criativa e a condução narrativa do filme. Nem sempre coincide com Melhor Filme, o que revela divergências internas.


Atuação

As categorias de atuação são algumas das mais observadas. Aqui, performances intensas, transformações físicas e papéis emocionalmente exigentes costumam ganhar destaque.


Categorias técnicas

Montagem, som, fotografia e figurino são áreas fundamentais para a linguagem cinematográfica, embora menos comentadas pelo grande público.


Campanhas para o Oscar: o lado pouco visível

Um dos aspectos mais ignorados pelo público geral é o papel das campanhas.

Estúdios investem tempo e recursos em:

  • exibições especiais
  • eventos para membros da Academia
  • entrevistas estratégicas
  • narrativas de bastidores

Isso não significa que o Oscar seja “comprado”, mas evidencia que visibilidade e narrativa importam.


Por que o Oscar é tão criticado

Ao longo dos anos, o Oscar acumulou críticas recorrentes, entre elas:

  • falta de diversidade
  • resistência a gêneros populares
  • conservadorismo estético
  • atraso em reconhecer novas linguagens

Essas críticas são legítimas e ajudaram a pressionar mudanças internas na Academia.


O Oscar como reflexo do seu tempo

É importante entender que o Oscar não existe no vácuo. Ele reflete:

  • valores culturais
  • tensões políticas
  • transformações sociais

Por isso, mudanças no perfil dos vencedores costumam acompanhar debates mais amplos da sociedade.


Streaming, cinema e o futuro do Oscar

Com a ascensão do streaming, o Oscar enfrentou um de seus maiores desafios. Filmes que não seguem o modelo tradicional de exibição passaram a disputar espaço.

Essa mudança forçou a Academia a:

  • revisar regras
  • redefinir o conceito de “lançamento”
  • dialogar com novos formatos

O Oscar ainda busca equilíbrio entre tradição e inovação.


O impacto real de vencer um Oscar

Ganhar um Oscar pode:

  • impulsionar carreiras
  • aumentar visibilidade global
  • garantir financiamento para novos projetos

Mas o impacto varia conforme a categoria e o contexto do vencedor.


O Oscar importa para o público comum?

Mesmo com críticas, o Oscar continua sendo relevante porque:

  • direciona atenção para certos filmes
  • influencia o mercado
  • cria debates culturais

Para o público, ele funciona como porta de entrada para obras que talvez passassem despercebidas.


Como assistir ao Oscar de forma mais crítica

Entender as regras e o funcionamento da premiação permite:

  • relativizar resultados
  • separar mérito artístico de estratégia
  • aproveitar o evento como discussão cultural

O Oscar não precisa ser levado como “verdade absoluta” para ser interessante.


O Oscar como ritual cultural

Mais do que premiar, o Oscar funciona como um ritual anual, reunindo memória, expectativa e debate. Ele celebra o cinema, mas também expõe suas contradições.

Essa dualidade é parte do motivo pelo qual a premiação continua relevante.


Conclusão

O Oscar não é apenas uma disputa por estatuetas douradas. Ele é um sistema complexo que mistura arte, indústria, política e cultura. Entender como ele funciona permite enxergar além do espetáculo televisivo e participar do debate de forma mais consciente.

Gostar ou não do Oscar é uma escolha pessoal. Entendê-lo, porém, é essencial para qualquer pessoa interessada em cinema como fenômeno cultural.